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terça-feira, 27 de julho de 2010

A responsabilidade é de quem?



Os brasileiros levam a sério Homer Simpson, que cunhou a seguinte frase: “A culpa é minha, e eu coloco ela em quem quiser”. Cada vez que acontece algum infortúnio, aliás, essa palavra não seria a mais adequada, já que as tragédias humanas estão se tornando regras e não exceção.
 A dimensão que alguns casos tomam, como no caso Nardoni ou quando envolvem famosos, geram debates e discussões, que se esvaziam rapidamente, tal qual o interesse pelo caso na mídia. E quando muda alguma coisa, raramente muda, modifica apenas no papel, não sendo efetivada na mentalidade do povo. As leis nascem mortas.
Recentemente no caso do jovem músico morto por atropelamento num túnel carioca, vimos um super-dimensionamento do caso pela profissão da mãe, porém, logo direcionado aos policiais que atenderam ao caso e exigiram propinas para acobertar os fatos. Nesse caso, pela repercussão midiática do atropelamento, “a casa caiu”, como dizem, e os policiais foram desmascarados. De repente, parece que, a culpa recai sobre os policiais.
Geralmente em casos assim, há muitos culpados, mas no andar anímico da justiça, fica “um tal” de acusa daqui, muda depoimento de lá, e no fim, quando tem fim, é feliz para os culpados e só resta a dor para quem viveu a perda. Nada justifica a violência. E a busca por um culpado, às vezes, violenta mais ainda, e as injustiças corroem o que sobrou.
Quando o estado perde a cabeça, os pés pensam que mandam, e cada um vai para um lado, os corruptos assumem as veias do sistema, e nas zonas periféricas, quem tem um dedo é rei. Os criminosos dominam as lacunas acéfalas do poder público e ninguém mais identifica quem é o mocinho e o bandido, e na maioria das vezes, nem um os dois, sabe de que lado está.
Infelizmente, precisa de pessoas famosas tornar-se vitimas de crimes ou serem agentes destes, para tomar dimensão suficiente para gerar discussões e algumas tímidas mudanças. E não são fatos novos, os telejornais estão recheados de cenas diárias das mais chocantes possíveis com pessoas comuns, órfãs do sistema, e ninguém se responsabiliza pelo sangramento de vidas na republiqueta, só a urna salva.  

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Um dia de fúria

               Cadê o pedigree que estava aqui?
               
               O gato comeu.
               
               Cadê o gato?
             
              O grampo pegou. Mas não se preocupe o grampeador foi preso.

             Parece piada, mas é real. Poderia ser em que país? Só o Brasil de seus políticos anjinhos poderiam pensar numa lei destas. Cada um sabe o tamanho do rabo que tem e protege bem. Agora pense bem antes de grampear umas folhas de relatório ou coisas similares, pois os grampos acabarão prendendo seus dedos.
           
              Esse dia ainda vai chegar, mesmo que você esperneie, não vai adiantar, o estado está, com o perdão da palavra, cagando e andando para o cidadão. Imagine a seguinte cena:
          
              “Uma delegacia de policia:
             - Vim denunciar o fulano de tal, residente na rua tal numero tal. Eu o vi entrando no meu pátio e roubando minha vaca.
             - O senhor está preso. Não pode denunciar um ladrão”.

            Desculpem-me os colegas socialistas e comunistas, mas qual era o problema da ditadura?

            Os maníacos políticos, onde impera uma gama de bravos lutadores em prol da liberdade e da democracia, estão democraticamente cerceando seus pares numa aventura decididamente ditatorial, sem que ninguém possa fazer nada. Digo possa, pois vontade não falta, mas há uma proteção gigantesca diante de nós, parece que estamos na idade media, com fortalezas medievais a serviço destes “escravo (demo) cratas”.

             Têm muitos por ai, que mais dia menos dia, pensa em ser William Foster, de “um dia de fúria”, neste filme de Joel Schumacher de 1993, Foster, interpretado dignamente por Michael Douglas, enfurece diante do caos da cidade e resolve destruir o que ele julga ser ruim para a sociedade. Parece um extremo perigoso, se transposto para a vida real. Mas estamos vivendo uma corda de circo, num show de equilibrismo onde nossa única garantia são duas cordas, a que pisamos em cima, e a outra amarrada no pescoço.

             O RS parece precisar de uma nova revolução farroupilha, agora contra os corruptos de plantão, já se descobriu falcatrua em todos os rincões, de uma forma ou de outra, tem eleição à vista. Falando com um eleitor domingo, ele disse que estava cansado das propostas dos políticos ano após ano, sem nada resolver, que agora iria mudar. Pensei que estava ficando politizado o povo, mas ledo engano, logo o eleitor completa:
         
             “- Eles sempre prometem e não dão nada. Agora só voto em quem dé (sic) algo antes”.

Porta Curtas - Ilha das Flores