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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Desculpas largas



É assustador ser Brasileiro. Este belo e alegre país, tem um povo empreendedor, mas ao mesmo tempo, culturalmente acomodado. Mesmo os incomodados, não tem jeito. Ao mesmo tempo dá orgulho morar num país assim, causa nos náuseas saber que dividimos este paraíso com ratos e insetos horrendos em disfarce de humano, lembra o filme MIB - Homens de Preto, onde os alienígenas vivem misturados aos humanos, muitos querendo viver sossegadamente, outros, porém, como Baratas, buscam explorar a terra para prover desordens diversas ou até mesmo acabar com a espécie humana.
 Acabamos sendo reféns de incompetências dantescas dignas de prêmios, pois, não há como negar, são incompetentes profissionais, ou aproveitadores de marca maior. E acontece em todos os níveis e escalas. Vejamos a internet Banda Larga, que na raiz do nome é internet rápida, como uma pista de estrada Alemã, “Autoban”, mas sendo usada com carrinhos de rolimã. Os tolos internautas Brasileiros pagam absurdos por esse serviço, e usufruem pouco, é como comprar um BMW com motor de Uno Mille, e pagar o preço de uma Ferrari. Pensei que o problema acontecesse apenas por aqui, área monopolizada pela Telemar/BrT/Oi, mas não, é geral, é nas áreas das outras operadoras, e também com as operadoras espelhos destas, onde tem, e a famosa 3G que parece discada.
Reclamar não adianta. Os problemas se repetem, e as desculpas esfarrapadas também, e as soluções nunca aparecem. Chegaram ao cumulo de me dizer que resolveriam até a meia-noite, todos os dias, a desculpa e a mesma. Ao buscar o PROCON local, parecia que o culpado era eu, de tantas exigências que fizeram para entrar com o pedido, acredito eu, que o PROCON exista para fazer o trabalho que queriam que eu fizesse. Ora, e o meu trabalho como fica? A internet de 1,5M é cara e não corresponde ao esperado, tem dias que nem rádios online 40kb é possível ouvir. E desculpa é sempre a mesma, “Identificamos um problema na sua região, mas depois na meia-noite estará sanado”. Só que ainda não me disseram a meia-noite de qual dia, e qual ano.
E dá-lhe receber, e vangloriar-se, das estrelas internacionais fazendo o nome diante da desgraça das favelas, e elevar o país ao cargo de organizador de copa do mundo e olimpíadas, mas só os estrangeiros que vêem o brilho dourado da abundancia brasileira, para o povo, só resta o dourado do sol, já que a sombra é só para os gringos.
                      Só que minha internet Cinderela, não tem felizes para sempre, tampouco transformação depois das badaladas do Sino. Eu queria que a rapidez das cobranças das empresas de telefonia, ou a velocidade que arrumam desculpas, se convertessem em velocidade real trafego de dados da minha banda larga.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Banda Larga por vias estreitas


  Brasil e sua gigante capacidade de inventar desculpas, ou jogá-las sobre os ombros carcomidos dos trabalhadores. Fomos o último país do planeta a coibir a escravidão, somos os últimos em qualidade de produtos e serviços, e jogamos a pesada carga para nossos ferrados atletas alcancem o primeiro lugar. Precisamos canalizar essa energia disposta ás falcatruas e desculpas mirabolantes para algo positivo, ficamos esperando as promessas vazias como a cabeça de nossos políticos, e vamos ficando na zona de rebaixamento no quesito tecnologia.
Sempre que este tema é abordado, os responsáveis pelas áreas especificas dão desculpas que no pais X, no Y ou Z as coisas são diferentes. Não é bem por ai. Claro que, queríamos que todos os cidadãos do mundo tivessem oportunidades iguais, mas não sendo ainda possível, precisamos disponibilizar estas tecnologias onde está disponível, e não fazer jogos imbecis de gato e rato entre produtores e consumidores. Se assim fosse, há na Amazônia tribos nativas que vivem como na idade da pedra lascada, vamos todos tirar as roupas e nos embrenhar na mata e viver como nossos longínquos ancestrais.
Estamos na era digital. Aonde de clic em clic, o mundo vai girando numa velocidade espantosa e o Brasil, vai ficando para trás, exigindo que Rubens Barrichelo ande na frente. Sobrecarregar outros parece aliviar as tensões de quem não consegue acompanhar os demais é uma atitude mais que humana, é brasileira. Solte a vinheta, maldita vinheta de Brasil...il...il...il, e vibre com uma medalha de ouro. Ganhamos no quesito hipocrisia, e é do Brasil...il...il...il. E depois vamos pular carnaval.
Estudos recentes da ONU revelam que apenas 5,2% dos Brasileiros tem acesso a Banda Larga residencial. Ainda que nem se pode chamar de Banda Larga o serviço prestado é de baixíssimo nível. Cai a toda hora, não mantém estabilidade de velocidade contratada, paga se muito e usa-se pouco. Cada vez que aparece uma queda e a empresa responsável é contatada, a desculpa é um fio se rompeu, um caminhão rompeu um fio, e por ai vai e se repetem os prazos de conserto, de até uma semana para consertar um misero fio e restabelecer o serviço.
Para questões praticas resolvi testar a empresa Brasil Telecom, empresa que me fornece Banda Lerda aqui em casa, quando não tinha problemas na rede para confirmar minhas suspeitas, e as desculpas foram às mesmas. Ou seja, nos é embutida uma resposta vazia e pré-programada, mesmo sem problema. Não há sequer averiguação no sistema de possíveis falhas, há só uma desculpa na ponta da língua. E os problemas se perduram e as desculpas nem se renovam. Com a compra da BrT pela Telemar, achei que as coisas iriam melhorar, mas que nada, a OI não só comprou a BrT, como inflacionou os problemas, e sequer trocou as desculpas.
Em finais de semana as Bandas Lentas, parecem discadas, com as operadoras dando desculpas de excesso de acesso. Quer dizer que quando chegar a copa do mundo com milhões de jornalistas passando dados para o mundo todo a Internet Brasileira vai dar colapso geral. A maioria dos Brasileiros acessam principalmente redes sociais e programas de bate papo, e já dá essa tranqueira toda, imagina quando formos usar a rede para fins profissionais?

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Direitos autorais

              A cerca de cinco mil anos A. C,. os Sumérios, no berço da civilização como a conhecemos hoje, escreveram uma obra literária das raras antigas ainda existentes hoje sem muitas mudanças, e seu autor é desconhecido. Durante a maior parte dos tempos, se ignorava direitos autorais e se colocava outro nome como autor. E como o mundo dá voltas, segundo um ditado popular, cá estamos nós, sem direitos autorais de novo. Ou como diria o poeta, o mundo é uma salada mista.
              
              O livro mais lido e mais influente de todos os tempos, a Bíblia, que nada mais é que um compendio de milhares de outras historias, inclusive da epopéia de Gilgamesh oriunda dos Sumérios, começou a ser organizada perto do ano 1000 A.C., no inicio da organização das tribos habitantes das terras de Canaã que viriam a se chamar Israel, sob a batuta de um Rei, Davi. Quase tudo contado em forma de parábolas, ou epopéias, narra as aventuras do homem desde a criação, em dois textos distintos, um citando YAWEH, ou Javé ou Jeová, depende da tradução, e Elohim. O primeiro criara o mundo em sete dias o segundo em apenas um.

              Na epopéia de Gilgamesh, um semideus, que dá nome a estória, salva a humanidade de uma catástrofe de inundação, relatada como um dilúvio geral sobre a terra, copiada na bíblia com nome de Noé, e os dois nomes dos deuses criadores de repetem, nem houve uma revisão. Mesmo assim creditaram estes dois textos, Gênesis e Êxodo a um autor apenas, o mítico Moisés.

               Por volta de 389 A.C., um religioso chamado Esdras dá uma editada nas estórias destes dois livros creditados a Moisés, e escrevem mais tres, Deuteronômio, Números e Levítico, e creditam a Moisés. Nada de créditos autorais aos verdadeiros autores. Já quando resolveram escrever a história de um jovem Judeu que enfrentou os sacerdotes do templo, e ganhava a vida como mágico, segundo relatos que se mantiveram originais sem interferência de Padres, Monges ou Bulas Papais, nem editores manipuladores no decorrer dos séculos, colocaram seus devidos créditos nos textos, exceto os três primeiros evangelhos, que foram de outros autores, mas colocados nos nomes dos mestres, Marcos, Lucas e Matheus.

              Assim como o cinema Americano é usado como moeda de troca nos negócios, a Bíblia foi usada como único livro da humanidade por séculos, imposta sob pena de morte, num marketing para lá de absurdo, que funcionou graças a milhares de fogueiras usadas para queimar homens e outros tipos de escrituras, fazendo humanidade chegar à idade média, como no tempo das cavernas, se bem que ainda hoje tem uns pelas ruas de nossas modernas cidades que estão na pedra lascada, mas isso é outra história.

               Na idade média, obras literárias começam a ganhar espaço, e os autores nem tanto, costumava-se a citar fontes mais antigas para corroborar suas escritas, e algumas obras transcendem, como o caso do Rei Arthur, difícil de afirmar se foi real, se foi lenda, e se há um autor. Assim como Dom Quixote, sabe-se tratar de um romance, mas se confunde com o real, além de poucos saberem quem é o autor da saga do Cavaleiro Andante. Michael Scott e Miguel de Cervantes, são pouco relevantes?

               Até o William Shakespeare entrou nessa onda, te historiadores que calculam mais de dezessete autores aos textos atribuídos ao bardo, outros ainda, afirmam que o celebrado autor inglês, nada mais fez que plagiar inúmeros autores europeus, contemporâneos ou não. A verdade é que nem tudo é o que parece ser. Uma professora de Porto Alegre, foi acusada de espalhar pela Internet um texto e uma foto de jovem infrator no trânsito, educado igual aos religiosos da idade média ou aos homens das cavernas, mas o texto nem a foto eram criações dela.
               
               Um quase acidente numa via de Porto Alegre – RS, uma reclamação e o jovem filhinho de papai, deu ré acertando o carro de uma senhora, ainda fazendo gestos desrespeitosos à dita dama, que o fotografou e enviou por e-mail para alguns amigos, junto com um texto de desabafo. Tempos depois, alguém alterou o titulo do texto e a autoria, passando para uma professora dando mais credibilidade ao texto, assim como Esdras, que abriu mão de assumir os textos ante Moisés.

               Ainda com inúmeros casos assim, anônimos, ainda surgem casos como em muitos blogs, há um roubo de texto, e novo credito, e com pessoas ditas honradas, com nome e sobrenome, e outros títulos depois.

              Assim acontece no mundo virtual de milhares de textos circulando creditados a grandes autores nacionais, os direitos autorais estão começando a se findar. Voltamos a viver como a 10.000 anos atrás. Ou como disse o Cineasta Carlos Gerbase: “Morreu! Já era. Direito autoral nunca deu dinheiro a ninguém, agora menos ainda”.

Porta Curtas - Ilha das Flores